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Porque sim

Invento

Foto de Mariana Guimarães (2014)

De rompante tive que me levantar

O sono vai leve e o amor vai tão forte

Não sabe ainda por onde se aninhar

Mas eu fico com ele a entrete lo

Invento mil e uma coisas para ele ficar entretido

Enquanto não recebo as indicações do nosso caminho

Invento quarenta coisas para fazer

Invento o céu e o nada

Invento chuva, trovões e melões

Mas não dá para o enganar muito tempo

É que ele sou eu.

Então respiro fundo e lembro me que o meu dever é respirar e abrir espaço e portas dentro de mim para o ar, e as coisas boas, poderem passar.

Só isso.

Assim é que acontecem as coisas que queremos.

Eu esqueço me, mas de vez em quando lembro-me. E então respiro. E volto aqui e agora. Já tinha saudades.As saudades são o que me faz ir e voltar.

Porque pensava eu que me escapava de escrever?

Se eu já sei que ficar quieta e não dizer ou fazer o que tem de ser dito ou feito

Me aperta o peito.

Não fui feita para usar máscaras, e mesmo assim uso.

Mas fico mal disposta com elas, irritam-me dá cabeca aos pés.

Se fosse mais nova dizia que era alérgica mas já ninguém iria acreditar em mim.

De qualquer forma, sou.

Fui feita apenas para ser eu. Não quero incomodar ninguém mas vou ter que ocupar este espaço aqui. Este é meu.

Qual?

Começa dentro e vai até… Espera. Não tem fim.

Mas cabe dentro de um corpo, de uma casa, de uma quinta, de uma rua, de um país, de um continente e de um planeta, ah e de um universo inteiro também. Cabe também dentro do mistério total.

Engraçadas estas coisas da vida, tão sem resposta preto no branco.

Como achávamos que iríamos escapar da complexidade se não existe só o preto nem o branco? Existe um arco íris, e o que mais gosto nele é o tesouro. Nunca ninguém o encontra, porque ele está dentro não é do arco íris, é de mim e de ti.

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