Menu
Porque sim

Quando

Deserto do Sahara (2018)

Quando a vida nos silencia. Nos leva ao não saber. Nos confunde, nos troca as voltas, nos põe o coração a apertar, e a bater, de confusão, de excitação, misturadas, quando não se entende. Quando não é para entender. Quando tivemos tudo nas mãos e agora parece que é pouco. É muito. Quando por dentro sabemos que há tanto por vir. E tão bom. Quando não sabemos qual é o caminho para lá chegar. Quando acreditamos em milagres, e quando deixamos de os ver. Quando nos perdemos no mundano e de um segundo para o outro voltamos ao que é sagrado. Quando despertamos e de repente vemos aquilo que está à nossa frente e não temos visto nos últimos dias, semanas, ou até meses, quem sabe anos? Quando respiramos e sentimos o coração de novo. As pernas a querer correr de alegria. Quando dentro de nós há um foguetão. Quando dentro de nós há apenas um cansaço que quer ninho. Quando o Natal vem e parece que não é Natal. Quando ele entra de rompante pela chaminé do céu com algum gesto, alguma música, algum abanar de anca ao som de Jingle Bell, Jingle Bell, Jingle Bell rock. Com um sorriso que brilha e nos acende o amor. Quando alguém nos cala. Quando alguém nos encoraja a falar. Quando somos livres, e não nos deixamos prender pela cabeça que se diz que mente, e mente, tanto. Outras vezes não. Quando abrimos a porta à loucura que é estar vivo. Quando deixamos a nossa alma se expressar, de nós para nós, e nos contar os seus maiores sonhos e ambições. As boas. Aquelas que no segundo a seguir queremos começar a por no papel. pouco a pouco. Aquelas que queremos pedir ajuda para concretizar. Vamos. Quando não sabemos para onde ir. Quando sabemos mas temos medo, e não sabemos por onde começar. Quando alguém nos chama, e temos que parar, e recomeçar, depois, de onde parámos, ou de outro sítio, aonde chegámos. Dentro. Procura dentro. Dentro. Dentro. Dentro.

No Comments

    Leave a Reply