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Bem-Estar / Desenvolvimento Humano / Realização

Passos de luz

Fotografia: Mariana Guimarães

Trabalhar: aquela coisa que fazemos a maior parte do tempo.

Uma coisa que me faz muita confusão, e que me vai às entranhas é alguém passar mais de metade da sua vida a fazer uma coisa que não gosta ou que gosta pouco.

Não tem a ver com toda a gente só fazer a mesma coisa, porque existem gostos para tudo. Não tem a ver com ser uma sortuda como eu que tenho sido abençoada para trilhar um caminho profissional diferente. Não tem a ver com sortes, nem com elites, nem com abençoados, nem com preguiça.

Tem a ver com uma coisa que eu acho muito importante: ser feliz. E ser feliz também não tem a ver com não passar por todas as emoções que existem. Ser feliz é, idealmente o chão que nos ajuda a passar por várias emoções e situações diferentes e saber navegar com elas, porque elas são-nos, a maior parte do tempo, senão sempre, muito úteis a ajudarem-nos a guiar o nosso caminho.

Tem a ver, sim, com uma coisa: existem muitos, infinitos, trabalhos que uma pessoa pode ter. O que gostas de fazer? Lavar pratos, estar rodeada de livros, brincar com crianças, cantar no palco, visitar casas, fazer desporto?

Nesta fase, muitas pessoas estão a ter que considerar outras opções profissionais. As licenciaturas e formações não têm o mesmo valor que antes.

Deixo apenas uma dica que vai de encontro a que continues ou até ganhes qualidade de vida: ao lado do dinheiro, pensa naquilo que gostas realmente de fazer e que claro, tens jeito e formação e/ou experiência para fazer. Se for preciso, entra numa nova área, ou amplia o teu leque de possibilidades, mas encontra onde és apaixonado, dedica-te a algo que amas e ama o que fazes.

Atenção, não há limites, se amares lavar pratos, e se isso te relaxa, te foca, te abre, e sentes que é o que deves fazer neste momento, maravilhoso!

Conheço pessoas que mudam de trabalho todos os anos, conheço pessoas que fazem trinta mil coisas diferentes, conheço pessoas com empregos fixos há décadas, conheço pessoas que são infelizes no que fazem, e conheço pessoas que amam o que fazem, conheço pessoas que acham que têm que se sacrificar e fazer algo que não gostam para se sustentar e conheço outras pessoas que vivem a fazer aquilo que naturalmente têm jeito e sustentam-se na mesma. Conheço pessoas que trabalham para ter dinheiro e conheço outras que trabalham muito e não ganham nada por isso.

O que é certo? Não sei.

Mas volto ao mesmo lugar, àquela célebre frase: onde não podes amar, não te demores.

Vou deixar algumas perguntas abertas sobre trabalho, para pensar.

Quanto tempo trabalhas por dia, por semana, por mês, por ano, por década, por vida?

Quão bem te faz o trabalho que tens?

Qual o impacto que tem no mundo?

Qual o impacto que tem em ti?

Quanto te inspira?

Quanto te move?

Quanto te enche de VONTADE, de ENTUSIASMO, de TESÃO?

Quanto te enche o coração, o corpo, a alma?

Quanto te foca e ao mesmo tempo te relaxa e te abre?

Quanto te serve para sobreviver financeiramente mas também para viver feliz?

Um dia quando olhares para trás, quão feliz vais ficar por teres dedicado o teu tempo àquilo que fazes?

Qual seria o teu trabalho ideal, em que as respostas a estas perguntas seriam aquelas que procuras?

Tantas perguntas que se podia fazer… Não sou perita nisto, tenho os meus desafios. Estou constantemente a aprender, ainda me falta muito para entender, e não necessariamente ando a trilhar o caminho mais fácil.

Mas hoje fico por aqui, voltando ao mesmo lugar: trabalhar em algo que gostamos, que nos faz bem, não apenas financeiramente, mas holisticamente, por inteiro: corpo, mente e alma – é tão essencial. Como é que outra coisa poderia fazer sentido?

E deixo outra pergunta, para cada um encontrar as soluções criativas que lhe fizer sentido. Uma pergunta que para alguns é um desafio, para outros não chega a ser. Para mim esta pergunta tem sido uma descoberta diária: como é que podemos aliar o nosso trabalho de corpo e alma às nossas necessidades financeiras?

Ousemos sair do quadrado, se sair do quadrado é importante para nós, neste momento. Tudo é possível quando a nossa criatividade entra em cena. (O que não significa que tudo seja fácil, ou óbvio). Ousemos sonhar e concretizar os nossos sonhos, com os pés bem assentes na terra, um passo (ou mais) cada dia.

Passos de luz.

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